Projeto de Musicoterapia para Grupos PDF Imprimir E-mail
Fonte: Por Inês Campos e Meca Vargas - OuvirAtivo   
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  Musicoterapia e Desenvolvimento Humano
 
Musicoterapia é a utilização estruturada da música como processo criativo, para desenvolver e manter o máximo potencial humano. É uma atividade planejada, que tem como objetivo a humanização do estilo de vida contemporâneo, através das muitas facetas da experiência musical, para proteger e recuperar a saúde e melhorar as relações sociais e ambientais. Promove habilidades nas esferas da comunicação e interação, no funcionamento e desenvolvimento cognitivo, afetivo, sensorial e motor.

Como terapia humanista, refere-se ao espaço em que o desenvolvimento pessoal e transpessoal são facilitados pelo som e pela música, utilizando uma abordagem que enfatiza o respeito, a aceitação, a empatia e a harmonia.

O modelo holístico tem uma inter-relação implícita entre o som e o ser humano e seus componentes físico-vital, mental-emocional e espiritual.

Através dos elementos musicais como ritmo, melodia e harmonia desenvolvidos pela participação "ativa" (cantar, compor, tocar instrumentos), e, pela participação "passiva" (ouvir, perceber e interpretar), a musicoterapia fortalece e acorda no nível da criação, a consciência individual e social.

Experiências na Musicoterapia
Auto-expressão na Musicoterapia Ativa
Criar música possibilita a auto-expressão em diversos níveis . No nível mais primitivo ela nos permite expressar nossos corpos através do som. Quando cantamos ou tocamos instrumentos, liberamos energia interna para o mundo externo, fazemos nosso corpo soar. No nível mais sutil damos forma aos nossos impulsos, vocalizamos o não dizível ou as idéias não pronunciáveis e, destilamos nossas emoções em formas sonoras descritivas.

Auto-expressão na Musicoterapia Passiva
Ao ouvir música nos expressamos através do compositor e do executante da peça. Este tipo de auto-expressão é muito importante, quando temos dificuldade de dar forma adequada aos nossos sentimentos e idéias por rejeição ou bloqueio, que podem ser liberados dissolvidos ou transformados, através da identificação com a música ouvida.

Interação
Na interação surge a preocupação de se engajar no mundo externo, no sentido de exercer uma influência mútua do tipo "dar e receber". É um processo de agir sobre e sofrer a ação de outros, de maneira recíproca. É tocar o outro e ouvir o outro.

Comunicação
A comunicação envolve a troca de idéias e sentimentos com os outros, e como tal, tem o propósito de codificar e decodificar, trocando mensagens e informações.
 
Feedback
Todo trabalho musicoterapêutico, necessita de um feedback que nos permite trazer à consciência o que estava inconsciente e nos possibilita transformar nossas imagens internas em realidades externas.

A musicoterapia promove a auto-expressão, a interação, a comunicação e nos dá um feedback do processo no tempo e do momento presente, possibilitando a descoberta de novas soluções para o futuro no âmbito pessoal e social.

Musicoterapia no âmbito social
Família
O relacionamento entre pais, filhos, cônjuges e irmãos, é a base para o desenvolvimento individual de cada membro. Da mesma maneira, o desenvolvimento individual de cada um, interfere diretamente no relacionamento familiar refletindo na atuação, na comunicação e interação social. Do mesmo modo a família está sujeita a influências externas e culturais.

A situação pessoal e profissional dos pais pode gerar uma dinâmica familiar positiva, ou uma sobrecarga no relacionamento, se houver falta de conteúdo e objetivos, dificuldade entre gerações e de identificação de seus devidos papéis. Cansaço, falta de compreensão, acúmulo de culpas, falta de responsabilidade e tempo, contribuem para o surgimento de problemas no relacionamento familiar.

A musicoterapia, tem o objetivo de ajudar cada um a criar um espaço que possibilite despertar novos interesses, compartilhar novos momentos, e promover as mudanças necessárias em direção a uma harmonização.

Dependendo da situação a musicoterapia familiar poderá ser acompanhada de uma médico ou psicoterapeuta.

Escola
Uma escola tem a missão de educar o ser humano, isto é, formá-lo promovendo o seu desenvolvimento, e informá-lo promovendo seu aprendizado e sua relação com o mundo.

Os profissionais mediantes essa responsabilidade, precisam ter abertura e conhecimento do mundo em que vivem, absorvendo o que de positivo dele emana e aprendendo com as influências negativas.

Para vencer essa tarefa será necessário desenvolver criatividade e auto-conhecimento. Além de um trabalho sobre si mesmo, este auto-conhecimento inclui os vários estágios de desenvolvimento com os quais o educador lida na escola.

Uma escola é além disso, um centro de sociabilização, de relacionamentos e de interação profissional e humana. A prática social dos professores transmite-se à escola como um todo, envolvendo colegas, alunos e pais, terminando por influenciar toda a base administrativa que a mantém.

Uma experiência musicoterápica entre funcionários e ou professores, pode fortalecer e aprofundar a capacidade profissional dos mesmos, trazer conhecimento mútuo e levar à percepção das necessidades dos outros. Essa experiência poderá desenvolver a iniciativa e a criatividade, possibilitar abertura, interesse e integração, transformando aborrecimentos, intolerâncias e falta de confiança, com o objetivo de adquirir novas perspectivas de trabalho e relacionamento.

Empresas
Uma empresa hoje tem outros desafios que no passado. A velocidade do desenvolvimento tecnológico em constante mudança, a demanda do mercado e a competitividade mundial, levam a um contexto empresarial onde o trabalho de equipe é cada vez mais necessário, exigindo maior criatividade, flexibilidade e adaptação a novas situações.

Por outro lado, o perigo da gradativa desumanização do trabalho e as visões imediatistas e consumistas do mercado, levam empresas a conscientização da necessidade de buscar instrumentos que possam promover desenvolvimento profissional e humano aos seus funcionários, possibilitando mais entusiasmo, melhor habilitação, mais organização e maior eficiência nos níveis pessoal, social e profissional.

Através da prática musicoterápica aprende-se a trabalhar em grupo, a ouvir atentamente as intenções e os sentimentos dos outros, criando momentos de auto-expressão e comunicação, desenvolvendo iniciativas e impulsionando a coragem para quebrar padrões. Ao mesmo tempo que se desenvolvem habilidades para o trabalho, surgem na vivência desse processo, autenticidade e qualidade nas relações.
 
Musicoterapia na Saúde
Hospitais e Clínicas
A área prática da saúde inclui todas as aplicações da musicoterapia em que o foco principal é ajudar o cliente a melhorar, recuperar ou manter a saúde. Isso inclui um tratamento direto de doenças/ ou traumas biomédicos, e aquelas formas que abordam os fatores psico-sociais correlacionados. Quando o foco é biomédico, o objetivo é produzir mudanças na condição física dos clientes; quando o foco é psico-social o objetivo é modificar aqueles fatores mentais, emocionais, sociais ou espirituais que contribuem para o problema biomédico. Além disso, pode-se oferecer formas de apoio psico-social ao longo do curso de uma doença de um tratamento médico ou mesmo na convalescença.

Há uma diferença entre aquelas práticas que buscam mudanças psicológicas nos clientes como meio para melhorar o problema biomédico, e aquelas que buscam mudanças psicológicas como um fim em si, independente de problemas biomédicos que os clientes possam ter.

Em geral as áreas da prática da musicoterapia não são definidas somente pelo perfil da clientela, mas principalmente pelos objetos clínicos e pelos resultados. Em hospitais e clínicas essa prática pode reduzir o stress, o trauma e o medo da doença e das lesões, trabalhar o sentimento sobre a morte, invalidez e seqüelas, resolver conflitos interpessoais entre os pacientes, facilitar a tomada de decisões acerca do tratamento a ser realizado, reduzir a depressão e a ansiedade, incentivar o grupo de apoio de pacientes, reforçando atitudes positivas e saudáveis.

Com o desenvolvimento da tecnologia para a saúde, a capacidade de ouvir e olhar do médico e do terapeuta foi terceirizada, porque o diagnóstico da máquina é mais seguro. É necessário agora conscientizar, que esse ouvir e olhar, precisam ser resgatados não só para os diagnósticos, mas com o objetivo de humanizar a relação entre os profissionais e desses com os pacientes, em todos os momentos. Essa meta certamente poderá ser alcançada através do trabalho musicoterapêutico também com profissionais da instituição.

Proposta
Como estrutura básica para nosso trabalho, tanto na área social quanto na saúde, oferecemos a formação de grupos no mínimo de 6 pessoas e no máximo de 20 pessoas, jovens e adultos, para a realização de um processo musicoterapêutico, em 12 sessões, uma vez por semana, com duração de uma hora e meia (1h e 30min) cada sessão. Poderão ser escolhidos os períodos de março a junho, ou de agosto a novembro.

O processo musicoterapêutico a ser realizado, terá como base os objetivos propostos nesse projeto, adaptados às necessidades apresentadas pelo contratante e pelos participantes.
 
Metodologia geral do setting musicoterapêutico
 
A nossa metodologia se fundamenta no estudo da antropologia antroposófica. Durante o trabalho trazemos à consciência a relação dos elementos musicais ( melodia, escala, intervalo, harmonia, pulso e ritmo, canto, instrumentos musicais de percussão, cordas e sopro) com o homem, através da sua audição e da sua expressão física, anímica e espiritual.

Acrescentamos a isso, o conhecimento musicoterapêutico de grandes musicoterapeutas da atualidade como Nordoff-Robbins, e Kenneth Bruscia. O primeiro desenvolveu a musicoterapia através da improvisação musical. O segundo além disso, criou um método de análise da atuação musical do cliente (IAP’s- Perfis de Avaliação em Improvisação), que muito contribui para análise da evolução do processo em seus vários passos.

Para o desenvolvimento do processo serão usados sete passos de forma criativa
Dinâmica para formar uma ficha musicoterapêutica do grupo (testificação musical para identificação do grupo)
Escolha dos elementos musicais para o desenvolvimento do processo
Improvisação onde serão criadas situações musicais, com a participação ativa do grupo, desenvolvendo o processo musicoterapêutico.
Atribuição de tarefas incentivadas pelo processo: compor, cantar , tocar músicas e criar histórias musicais inseridas na história da vida.
Conversas regulares sobre a dinâmica feita, para a compreensão do processo.
As sessões serão gravadas ao vivo para facilitar a análise do processo e conduzir a continuidade do mesmo. As gravações serão de uso interno e exclusivo dos musicoterapeutas.
Avaliação final do processo e relatório

Profissionais envolvidos:

As musicoterapeutas que idealizaram esse projeto, também estão encarregadas em conduzir o processo.

Meca Vargas
musicoterapeuta e terapeuta de canto pela Escola Desvendar da Voz, atende na Clínica Tobias.
Tel. 11-56873799 / 11- 98758531
e-mail:
mecavargas@yahoo.com.br

Inês Campos
musicoterapeuta e atuante na Pedagogia Curativa, atende na Associação Parcifal.
Tel. 11-91547044
e-mail:
inesnigro@hotmail.com

 
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