Exposições na Galeria Municipal de Arte e no Museu Hassis lembram os 50 anos da primeira mostra “Pintura e Desenhos de Motivos Catarinenses” Realizada por Meyer Filho e Hassis

Em novembro de 1957, uma mostra no Instituto Brasil Estados Unidos (IBEU), em Florianópolis, reunia a produção de Meyer Filho e Hassis, dois nomes consagrados da arte de Santa Catarina. Para marcar a data, no próximo dia 27, às 20 horas, as filhas dos artistas Meyer Filho (1919-1991) e de Hassis (1926-2001) – Sandra, Luciana e Leilah – unem-se para marcar um momento histórico na cena artística catarinense.
O projeto “Ressonâncias Modernistas. Hassis e Meyer, 50 Anos de Motivos Catarinenses” prevê duas mostras, uma no Museu Hassis e outra na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti. A intenção é lembrar os 50 anos da exposição “Pintura e Desenhos de Motivos Catarinenses”, considerada um marco do modernismo catarinense.
As obras de Hassis estarão na Galeria Pedro PauloVecchietti recebidas pelo Instituto Meyer Filho, e as obras de Meyer Filho serão expostas no Museu Hassis, onde ocorrerá o coquetel de abertura. A equipe curatorial do projeto é composta por Luciene Lehmkuhl, Leilah Corrêa, Luciana Corrêa, Kamilla Nunes e Sandra Meyer.
Na abertura, será lançado o livro “Meyer Filho, um modernista saído da lira”, organizado por Sandra Meyer e Rosângela Cherem, com textos da própria Cherem, que é professora de história e teoria da arte no Centro de Artes (Ceart), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e das pesquisadoras no campo das artes visuais Kamilla Nunes, Lígia Cezsnat e Raquel Reis. Na mesma oportunidade, também ocorrerá o lançamento do catálogo do projeto “Ressonâncias Modernistas”, que reproduz algumas obras, fac-símile do material ilustrativo da mostra de 1957 e as análises de Rosângela Cherem e Luciene Lehmkuhl.
Rosângela Cherem ajuda a contextualizar a importância da exposição de 1957. Em “Vestígios de um tempo, indícios de um lugar”, ela lembra que, no fim da década de 50, Meyer Filho tinha 38 anos e ainda era conhecido pelo prenome, Ernesto. Hassis, com 31 anos, era chamado pelo seu nome, Heidy Assis Corrêa. O primeiro foi apresentado como um estudioso de desenhos e ilustrador da “Revista Sul”. O segundo era contador, bacharel em ciências econômicas. O que os aproximava, segundo a estudiosa, era o desejo de se constituírem e serem reconhecidos como artistas, além dos temas, que davam ênfase às paisagens, cenas e personagens locais. O volume de revistas encontrados nos arquivos dos artistas, leva Cherem a concluir que ambos eram ávidos por informação. Por tudo isso, “podemos reconhecer um momento particular destes dois destinos e da história da cidade. Na exposição, um se detém na saída da missa, o outro na paisagem sideral. (...) Hassis perseguirá os traços mais ligeiros, rebeldes e selvagens enquanto Meyer será conduzido pelas minúcias obstinadas do desenho”.
Em 1957, Hassis apresentou 32 obras, Meyer 21. O público de 2007 poderá apreciar 15 telas de Meyer, todas vistas no IBEU. A família só não incluiu as brigas de galo, que supõe tenham sido vendidas ou presenteadas pelo artista. Já as filhas de Hassis reúnem 16 quadros daquele momento. Outro dado importante é a instalação de gabinetes, montados nas duas exposições, que guardam documentos e impressos daquele período. Eles ajudam a analisar melhor a experiência e importância dos dois artistas numa cena artística marcada por um ritmo provinciano e desconhecimento com o que ocorria no país e no mundo com relação ao pensamento plástico. A repercussão foi enorme, com desdobramentos na mídia impressa e intensas discussões na cidade.
A professora e historiadora da Universidade Federal de Uberlândia, Luciene Lehmkuhl, dá luz sobre o assunto, no texto “Hassis e Meyer – 50 anos de motivos catarinenses”. Os artistas, escreve ela, trazem para a cena artística, ou seja, para o mundo material, da criação e da construção plástica, elementos com os quais todos os habitantes da cidade se deparam no cotidiano sem, no entanto, aperceberem-se da sua possível materialidade. Ao darem concretude ao mundo que os cerca, por meio da construção de imagens transmutadas em obras de arte, os artistas lançam ao espectador uma chave para a compreensão do seu próprio mundo.”
Serviço:
O QUÊ: Projeto “Ressonâncias Modernistas. Hassis e Meyer, 50 Anos de Motivos Catarinenses” – Mostra de Hassis.
ONDE: Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti, praça 15 de Novembro, 180, esquina com a rua Tiradentes, centro, Florianópolis, tel.: (48) 3228-6821
QUANDO: De 27/11/07 a 4/1/08; abertura, 20h; segunda a sexta, 13 às 19h.
QUANTO: Gratuito
Contatos:
Sandra Meyer: (48) 3234-8024/9111-6534
Rosângela Cherem: (48) 3222-9378
Kamilla Nunes (48) 3232-5009/9114-6111
Museu Hassis (48) 3348-7370
Luciana Corrêa (48) 9973-0083
Leilah Corrêa (48) 9983-0184
Luciane Lehmkuhl (34) 3215-0661
Néri Pedroso
Assessoria de imprensa
Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes
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